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13 dicas para escrever uma boa redação no ENEM

Ivo Korytowski, autor de Português sem Mistério preparou uma lista com 13 tópicos que considera essencial para quem pretende escrever uma boa redação.
Ivo Korytowski 20/08/2018

Todas as informações são ainda mais detalhadas em seu livro, que apresenta estratégias para você se preparar para as provas de Redação e Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias do ENEM.

DICA No 1: Escreva sua redação com letra legível. Redação com letra ilegível poderá não ser avaliada. Um método para melhorar a letra é comprar um caderno de caligrafia e “desenhar” primeiro as letras, depois palavras curtas, depois escrever frases inteiras, por vários dias seguidos. Se funcionava na Inglaterra vitoriana, onde, antes do advento da máquina de escrever, uma letra bonita era valorizada, deve funcionar no século XXI também.

DICA No 2: Não cometa uma das falhas graves que resultam em nota zero. São elas:

  • fuga total ao tema;

  • não obediência à estrutura dissertativo-argumentativa (mais sobre isto na Dica no 5);

  • extensão de até 7 linhas;

  • cópia de texto motivador (o texto motivador serve para motivar e pode ser citado, mas não copiado ao pé da letra);

  • impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação;

  • parte deliberadamente desconectada do tema proposto;

  • desrespeito aos direitos humanos (mais sobre isto na Dica no 8); e

  • folha de redação em branco, mesmo que haja texto escrito na folha de rascunho (ou seja, não esqueça de passar a limpo o rascunho!).

DICA No 3: Acumule uma bagagem cultural. Embora os textos motivadores possam servir de apoio, contribuindo com informações, você não pode montar sua redação totalmente calcada nesses textos. Você precisa colocar ideias próprias. Folheie os sites dos principais jornais e revistas do Brasil. Leia uma ou outra reportagem, integralmente ou em parte. Leia matérias opinativas: editoriais, colunistas. Assista a telejornais e programas jornalísticos em canais de notícia. Mantenha-se informado sobre os acontecimentos políticos, sociais, culturais etc. no Brasil e no mundo.

DICA No 4: Entenda claramente o que é um texto dissertativo-argumentativo. Inspirado nos textos motivadores e utilizando os conhecimentos que acumulou em sua formação, você deve redigir um texto dissertativo-argumentativo. Uma dissertação é um gênero textual que consiste em expor um assunto. Por exemplo, você pode escrever uma dissertação sobre racismo, meio ambiente, trabalho infantil, etc. A redação do ENEM, além de ser um texto dissertativo, expositivo, também é argumentativa, no sentido de que você vai defender uma posição, uma tese.

DICA No 5: Treine a arte da argumentação. Para isso, desenvolva mentalmente o hábito de formar opiniões sobre assuntos com que você deparar na TV, jornais, revistas, redes sociais, internet, conversas, etc. Vez ou outra pegue um tema – por exemplo, redução da maioridade penal, publicidade infantil, limite de idade para aposentadoria –, analise seus prós e contras, aprofunde a análise com pesquisas no Google, assuma uma posição e desenvolva argumentos. Assim você desenvolverá uma postura mental que o ajudará na prova de redação.

DICA No 6: Empregue um vocabulário rico e variado. Por exemplo, evite o uso exagerado do artigo indefinido um, uma, uns, umas. Evite também repetições da mesma palavra dentro de um parágrafo. Se você usou o verbo ver, da próxima vez mude para enxergar, notar, perceber, presenciar, vislumbrar etc. Evite também abusar de verbos corriqueiros como dar, estar, fazer, haver, pôr, ser, ter, usar e ver. Em vez de “dar uma ideia” você poderia dizer “sugerir uma ideia”. Não abuse de palavras triviais como coisa. Assim, em vez de “Este quadro é uma coisa fantástica”, prefira “Este quadro é uma obra fantástica”.

DICA No 7: Respeite os direitos humanos. Direitos humanos são direitos fundamentais de todos os seres humanos pelo simples fato de serem humanos. Estão consignados na Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU e nas Constituições dos países. São consideradas propostas que ferem os direitos humanos (ou seja, atentam contra a dignidade humana) aquelas que defendem violência, tortura, linchamento, mutilação, execução sumária, justiça com as próprias mãos, discriminação racial, supremacia dos homens, perseguição às minorias, cerceamento da liberdade de expressão (incluindo aí a liberdade de imprensa), imposição de escolhas religiosas, políticas ou afetivas. Mas atenção para uma distinção sutil: uma coisa é a violência gratuita, indiscriminada, sem amparo legal; outra coisa é a violência institucional, do aparato legal contra transgressores. Defender que “deviam jogar uma bomba atômica em Brasília” é atentar contra os direitos humanos, mas defender a pena de morte para quem comete crimes hediondos não é, já que, neste caso, existe a mediação por parte das autoridades – quem vai aplicar a pena é uma autoridade constituída.

DICA No 8: Cuidado com os erros de concordância. O verbo tem que concordar em pessoa e número com o sujeito. Quando o sujeito está bonitinho antes do verbo, a gente costuma acertar. “As declarações do presidente causaram mal-estar”. Contudo, existem duas situações em que corremos o risco de errar na concordância verbal. Uma é quando o sujeito é comprido. “As declarações do presidente ontem à noite ao canal de televisão estatal causou mal-estar”. O verbo tem que concordar com o sujeito: As declarações… causaram…; E outra situação é quando a ordem natural da frase é invertida e o verbo antecede o sujeito. “Após muita insistência e bate-bocas foi chegando, bem aos poucos, os pedidos feitos há quase uma hora”. Na ordem direta é mais difícil errar: os pedidos foram chegando.

DICA No 09: Cuidado com os “erros clássicos”. Erros clássicos são aqueles contra os quais os professores na escola, os manuais de estilo, as apostilas do ENEM, as páginas da Internet sobre língua portuguesa etc. nos advertem, mas, mesmo assim, teimamos em cometê-los. Esses erros pegam mal e você deve evitá-los. “Seje Feliz”, “Menas pessoas” e “Segue anexo”, por exemplo, não existem. Consulte Português sem Mistério para conhecer mais erros clássicos.

DICA No 10: Dê um bom título à sua redação. Ainda que opcional, um bom título serve de chamariz, desperta a curiosidade do leitor.

DICA No 11: Obedeça ao limite de tamanho e dê uma boa estrutura à sua redação. A redação, com no mínimo oito linhas e no máximo trinta linhas, deve conter:

  • um parágrafo de introdução, seu contato inicial com o “leitor”, onde você vai tentar conquistá-lo e despertar sua curiosidade sobre o tema;

  • uns três parágrafos de desenvolvimento do tema, utilizando dados dos textos motivadores, informações que você leu nos jornais, assistiu na TV, discutiu com os amigos, viu nas redes sociais, etc. ou algum depoimento de sua experiência pessoal.

  • um parágrafo de proposta de intervenção, a sua solução para o problema, que pode ser punitiva ou educativa.

DICA No 12: Explore seu subconsciente. Descobertas importantes se deveram à ação subconsciente. Por exemplo, da tabela periódica, por Mendeleiev, durante um sonho. Na prova de Redação, Linguagens e Matemática do ENEM, eu faria mais ou menos assim: no início das cinco horas e meia de prova eu leria com atenção o enunciado da redação. Depois passaria para as questões de matemática (que requerem a cabeça bem fresca) e deixaria o subconsciente trabalhar na redação. Terminada a matemática, eu montaria o esquema da redação e, em seguida, redigiria o rascunho a lápis. Depois atacaria as questões de linguagem. Por último, passaria a limpo a redação (a caneta!), aperfeiçoando-a.

DICA No 13: Treine! Redação é como dirigir automóvel ou cantar no karaokê, desenvolve-se com a prática. Mesmo que no início sua redação não seja lá grande coisa, você pode melhorar. Existem sites na Internet aos quais você pode submeter redações, como o Banco de Redações do UOL (educacao.uol.com.br/bancoderedacoes) ou o Projeto Redação (www.projetoredacao.com.br). Aproveite esse recurso!

O detalhamento dessas dicas você encontra em Português sem Mistério: Um jeito original de tirar suas dúvidas de português, acompanhadas de exemplos práticos de sua aplicação.