Processando...

Dificuldades de atenção e concentração não querem dizer necessariamente que você seja portador de TDAH!

Baseado no livro "Saúde Mental Sem Medicamentos Para Leigos", de Leonardo Mascaro
Leonardo Mascaro 10/10/2018

Diferentemente do que muitos insistem em afirmar, deficiências atencionais — isto é, dificuldades de atenção — não são, necessariamente, indicativas de que a pessoa seja portadora de TDAH, o Deficit de Atenção e Hiperatividade, que é uma condição geneticamente determinada.

Claro, todo portador de TDAH necessariamente terá deficiências atencionais e esta é, de longe, a marca registrada desta condição… mas não quer dizer que seja exclusiva do TDAH e, portanto, suficiente em si para se chegar a este diagnóstico! Seja qual for a desordem mental que se considere, há extrema variabilidade de sintomas para uma mesma condição, bem como considerável sobreposição (overlap) de mesmos sintomas entre muitas das diferentes desordens! Assim, dificuldades de atenção não raro estão também presentes em outras tantas condições, comumente diagnosticadas de forma equivocada como TDAH!

Entre elas podemos citar os quadros de dislexia, TOC, ansiedade, depressão e, mesmo, anóxia ou hipóxia no parto — quando a criança sofre privação da adequada oxigenação cerebral seja durante a gravidez ou mesmo durante o parto!

E isto acontece, por sua vez, porque cada uma destas condições normalmente envolve considerável variabilidade de comprometimentos funcionais, ao mesmo tempo que, com mais frequência do que se imagina, estes comprometimentos envolvem desregulações da atividade de hubs e circuitos neurológicos comuns a mais de uma rede neurológica no cérebro. E isto explica porque portadores de quadros clínicos distintos, como TDAH e TOC, muitas vezes acabam apresentando os assim chamados “sintomas transdiagnósticos”, em que as queixas e dificuldades clinicas resultam mais similares entre si do que seriam entre portadores de uma única destas condições!

Ao mesmo tempo, e de forma não menos paradoxal, ainda que exista extrema variabilidade de comprometimentos funcionais no cérebro de portadores de uma mesma condição diagnóstica — por exemplo, depressão — não existem dois pacientes portadores de uma mesma desordem com realidades neurológicas exatamente idênticas entre si, no mundo.

Daí a importância, da realização de exames eletroencefalográficos e funcionais, adicionalmente à análise dos sintomas e histórico clínico do paciente.

Fico pensando quantas crianças não estão por aí medicadas equivocadamente… Digo e repito, ainda que sob o risco de me tornar chato, mesmo: é só e tão somente quando consideramos o conjunto integral destas informações — clínicas e neurológicas — que podemos não só minimizar a probabilidade de erros diagnósticos, mas, e talvez ainda mais fundamentalmente, determinar o adequado curso de tratamento a seguir, evitando condutas clínicas equivocadas, bem como, no caso do tratamento por Neurofeedback, elaborar protocolos extremamente seguros e precisos, focados em
corrigir as desregulações neurológicas identificadas e, com isso, resgatar o paciente à sua condição de normalidade.

Aprenda a cuidar de sua saúde mental de forma não invasiva no livro Saúde Mental Sem Medicamentos Para Leigos, de Leonardo Mascaro, Psicólogo, Mestre em Neurociências e pioneiro em Neurofeedback.