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Em tempos de crise, como sair na frente na busca de um emprego?

Em entrevista, autora Meiry Kamia reforça a importância de ter um “comportamento empreendedor”, e dá dicas para quem quer se manter empregável
Meiry Kamia 27/07/2017

Demissões aumentando, economia mal das pernas e desemprego crescente. Em um cenário de crise, como o que o Brasil vive hoje, é preciso ter foco e persistência para alcançar os objetivos, principalmente se o seu for conseguir um emprego. Meiry Kamia, autora do recém-lançado Pílulas Mágicas Para o Sucesso, reforça a importância de ter um “comportamento empreendedor”, e dá outras dicas para quem quer entrar e também para aqueles que querem se manter empregáveis:

 

Em momentos de crise como o Brasil vive hoje, qual dica você daria para alguém que está desempregado e busca uma recolocação no mercado?

Apesar da situação, em alguns casos, desesperadora, é importante manter a calma para que o lado racional funcione. Um dos grandes erros é buscar qualquer emprego a qualquer preço, simplesmente pensando no salário. Em médio e longo prazo isso pode ser uma verdadeira armadilha porque você pode se deparar com um emprego que odeia, fazendo o seu trabalho da pior forma possível, pois se sente desmotivado e “queimar” a sua imagem profissional.

Estudos sobre empregabilidade indicam a tendência das empresas terceirizarem serviços, contratarem profissionais através de cooperativas ou por projetos. O modelo “carteira de trabalho” tende a cair, e serão mantidos apenas os casos que não se encaixam nos demais modelos de contrato de trabalho. Isso significa que o profissional deve desenvolver as competências necessárias para atuar nesse novo cenário.

Empreendedorismo” e “Endoempreendedorismo - empreender dentro da empresa” são as palavras do momento, e exigem do novo trabalhador uma postura empreendedora, de dono da empresa, que engloba, por exemplo: a busca por novas oportunidades no mercado, solução de problemas, proatividade, responsabilidade pelas decisões, etc. Tais qualidades devem ser observadas no comportamento cotidiano do trabalhador.

Nenhuma empresa deseja contratar um funcionário que só faz o que é solicitado, que não mostra iniciativa e comprometimento. Portanto, se você deseja voltar ao mercado de trabalho, deve refletir, com base em empregos anteriores, em que momentos você atou como empreendedor dentro das empresas em que atuou. Pense: que tipo de sugestões positivas você deu, em que momentos demonstrou iniciativa ou proatividade, em que momentos mostrou ter comprometimento com o trabalho, de que forma você contribuiu para a imagem positiva da empresa, etc. Escreva essas ações numa lista e conte esses exemplos durante as entrevistas de emprego. Sua narrativa baseada em fatos reais fará com que você se sobressaia sobre os demais concorrentes.

Outra sugestão é pensar na possibilidade de ser dono do seu próprio negócio. Talvez o desemprego seja uma oportunidade para colocar aquele antigo sonho em prática. Atualmente existem diversas possibilidades para iniciar uma empresa com pouco dinheiro, venda de produtos digitais, venda direta, serviços, etc. É importante que você reconheça qual é o seu talento, o seu diferencial, e crie uma oportunidade para você!

O que um candidato pode fazer para se destacar no meio de tantos concorrentes? 

O modelo de funcionário que as empresas buscam hoje é o “endoempreendedor”, ou seja, aquele funcionário que se comporta como se fosse o dono da empresa. Um endoempreendedor tem visão global, conhece um pouco de cada área, é agregador, sabe se comunicar, se relacionar, mostra iniciativa, determinação e comprometimento. É responsável por suas decisões e não joga os problemas para outros resolverem.

Um candidato que apresente qualidades empreendedoras durante as entrevistas de emprego, certamente se tornará objeto de desejo dessas empresas. Mas tais qualidades devem ser descritas de forma objetiva, ou seja, você deve descrever como você aplicou ou aplica tais qualidades na prática: para demonstrar sua proatividade, conte uma situação em que você percebeu o surgimento de um problema, mas graças a sua ação rápida, o problema foi eliminado ou minimizado; Para demonstrar sua capacidade de persuasão e comunicação, conte alguma situação em que você ajudou a solucionar problemas de relacionamento entre colegas de trabalho e/ou clientes; e por aí vai. Palavras sem ação são palavras ao vento, o diferencial do trabalhador está na ação e na conduta diária, e é isso que gera a confiança para a contratação!


E para quem está empregado, o que fazer para se manter seguro e permanecer "empregável"?

Segurança e estabilidade são palavras que estão fora do mercado atual. Isso significa que o aperfeiçoamento profissional e os desafios devem ser trabalhados todos os dias. É por essa razão que, cada vez mais, os profissionais de RH enfatizam a necessidade de trabalhar em uma atividade que você goste, pois as exigências estão cada vez maiores.

Mesmo quando uma empresa precisa demitir para manter sua saúde financeira, existe um critério de seleção de quem será ou não demitido. E aí entram os diferenciais do trabalhador. Se você deseja ser escolhido “para ficar” na empresa, reflita sobre seu próprio comportamento no trabalho e pergunte-se: Quais qualidades te diferenciam dos demais colegas de trabalho? Você é um profissional que pode ser facilmente substituído? Conhece os pontos negativos que precisam ser melhorados?

Para manter-se empregável é importante estar alerta às necessidades do mercado para que possa se adaptar a elas. Pergunte-se: O seu mercado de atuação está em expansão ou declínio? Consegue enxergar áreas pouco exploradas? Seria interessante investir em algum curso?

A multifuncionalidade é outra característica importante porque, com o quadro de funcionários cada vez mais enxutos, as empresas necessitam de profissionais especialistas e generalistas, ou seja, que entendam profundamente de uma área, mas que também consigam atuar em áreas diferentes. Além disso, manter bons relacionamentos dentro e fora da empresa é imprescindível, pois cerca de 70 a 80% das recolocações são realizadas por indicação. Mas deve-se tomar o cuidado de não procurar as pessoas apenas quando precisa delas.

Já deu para perceber que a empregabilidade está nas mãos do próprio funcionário, a responsabilidade pelo seu futuro não está nas mãos da empresa nem do mercado. Quanto mais atento ao mercado e mais rápido o funcionário conseguir se adaptar e desenvolver as competências necessárias, maior será sua empregabilidade.

Outras dicas valiosas como essas você encontra no livro Pílulas Mágicas para o Sucesso. Meiry também é autora do best-seller Motivação sem Truques, ambos da Alta Books.