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Entrevista com Cole N. Knaflic, autora de Storytelling com Dados

Especialista indica o caminho das pedras para contar boas histórias com seus gráficos.

Para algumas pessoas, criar um gráfico ou montar uma apresentação/relatório na empresa é assustador. Escolher o modelo certo, as cores, qual a melhor legenda, entre outros elementos pode ser mais complicado do que parece, mas nada que não possa ser ensinado, aprendido e aprimorado. É o que afirma Cole Nussbaumer, autora de Storytelling com Dados.

Nesta entrevista, a autora, ex-funcionária da Google, aponta os erros mais comuns cometidos pelas pessoas e dá dicas valiosas para criar gráficos e apresentações que vão impressionar seu chefe:

 

Considerando sua experiência, qual é a parte mais difícil de aprender como contar uma história com dados?

Acho que é importante ter consciência de que cada um vê e interpreta dados de uma forma diferente, e que o seu público quase nunca vai conhecer os seus dados tão bem quanto você. Isso significa que há coisas que precisam ser feitas — tanto visualmente como em termos de narrativa ou de história — para que os dados “falem por si”, e garantir que a mensagem seja transmitida, entendida e incentive as pessoas a agir. Aqueles que praticam muito tendem a achar a parte do storytelling mais difícil, enquanto aqueles com menos conhecimento técnico às vezes acham a parte da história mais fácil e a visualização dos dados mais desafiadora. A boa notícia é que essas habilidades podem ser ensinadas e aprendidas. E é isso que eu tento fazer através do meu livro.

 

O mundo mudou e continua mudando cada vez mais rápido, assim como o modo como as pessoas querem ouvir uma história, ver uma apresentação, um gráfico ou um relatório. Como você avalia isso e como se atualizar diante das expetativas de hoje em dia com relação à visualização de dados?

Nós somos sufocados com mais e mais informações todos os dias. Com isso, aumenta a necessidade de filtrar e fazer com que isso se transforme em informação útil. A visualização de dados é um modo de tornar essa filtragem mais acessível. Pessoas qualificadas nessa área vão continuar sendo altamente requisitadas. Apesar de eu não ter certeza sobre a possibilidade de manter todo mundo no mesmo nível, para mim, o sucesso acontece quando uma apresentação ajuda alguém a ver algo que não estava claro antes. Diferentes pessoas farão diferentes escolhas na hora de criar uma apresentação, mas ter certeza do que queremos que o nosso público veja/faça na apresentação pode ajudar a construir um design produtivo.

 

Qual é o maior erro que as pessoas cometem ao fazer uma apresentação/gráfico?

Vou repetir aqui as duas principais coisas que eu incentivo as pessoas a fazer para conseguir fazer apresentações mais efetivas: 1 – Use cor estrategicamente para chamar a atenção do seu público para onde você quer que eles olhem, e 2 – Use palavras para dizer ao seu público o porquê de você querer que eles olhem para lá; Essas duas coisas podem transformar um gráfico de confuso a esclarecedor. Além disso, nenhuma dessas duas ações é muito demorada, então, especialmente em um ambiente com tempo escasso, pense em como usar cor e palavras estrategicamente.


O que mais te deixa irritada em uma apresentação?

Falta de atenção. Ela pode aparecer de diferentes formas. A mais comum é a saturação não-intencional — elementos visuais sem nenhum valor informativo, que podem tirar o foco das informações, e, algumas vezes, enganar —, gráficos 3D ou de barras em um eixo não-zero que distorce as comparações visuais e enganam. Casos assim realmente me irritam!

 

Se você pudesse dar somente uma dica para as pessoas que querem criar apresentações e histórias melhores, qual seria?

Minha dica #1 é, primeiramente e principalmente, pensar no seu público. Tudo que fazemos quando nos comunicamos com dados é para quem vai ver, então, se você mantiver o seu público sempre em mente durante o processo de criar o design da sua apresentação ou do seu gráfico, e tentar facilitar o máximo possível para eles, as suas chances de sucesso em conseguir transmitir sua mensagem aumentam muito.

Confira mais dicas como estas no livro Storytelling com Dados.